A COVID-19 e a Medicina Dentária | Clínica Dentária de Lisboa
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A COVID-19 e a Medicina Dentária

Epidemiologia da COVID-19

No âmbito da Pandemia COVID-19, a Ordem dos Médicos Dentistas elaborou um documento com um conjunto de normas para a retoma da actividade da medicina dentária que dada a sua importância passamos aqui a partilhar:

“A doença de coronavírus 2019 (COVID-19) foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como pandemia, no dia 12 de março, tendo o agente causal (SARS-CoV-2) sido detetado na China, no final de 2019.

Com o alargamento progressivo da expressão geográfica da pandemia COVID-19 em Portugal (fase de mitigação), foi decretado o Estado de Emergência Nacional nos termos do Decreto do Presidente da República n.º 14-A/2020 de 18 de março. A prestação de cuidados de saúde passou a exigir a implementação de medidas adicionais para conter a expansão da doença.
No final de março, os cinco países com um maior número de casos da COVID-19 eram a China, a Itália, os Estados Unidos da América, a Espanha e a Alemanha.  Até 28 de abril, foram infetadas 2,9 milhões de pessoas e aproximadamente 202 597 morreram com esta doença. A estimativa da OMS para a taxa de letalidade pela COVID-19 situava-se entre 3% e 4%. A maior parte dos pacientes afetados tinham idades compreendidas entre os 30 e os 79 anos.  Mais de metade dos doentes padeciam de uma doença crónica prévia, e a taxa de letalidade por COVID-19 era maior entre estes doentes.

Em Portugal, até ao mesmo dia, houve 24 505 doentes com COVID-19 confirmados. Destes, 59,2% são mulheres e 40,8% são homens; há a lamentar a morte de 973 pessoas (taxa de letalidade de 3,9%). A taxa de letalidade da COVID-19  era de 3,9%, sendo 40,8% no sexo masculino e 59,2% no sexo feminino.

As taxas de letalidade, de acordo com o grupo etário em Portugal, eram de 0% dos 0 aos 39 anos, 0,24% dos 40 aos 49 anos, 0,55% dos 50 aos 59 anos, 2,67% dos 60 aos 69 anos, 8,40% dos 70 aos 79 anos e 16,14% para idades superiores a 80 anos. Também há a registar 1470 indivíduos recuperados. [13] Os dados atualizados podem ser consultados em no site à COVID dedicado do ministério da saúde.

Atualmente consideram-se doentes ou suspeitos de serem COVID-19 positivos todos os que apresentem infeção respiratória aguda com início súbito de febre, tosse ou dificuldade respiratória, sem outra etiologia que explique o quadro e sem história de viagem ou residência
em áreas com transmissão comunitária ativa, nos 14 dias anteriores ao início dos sintomas; ou que apresentem infeção respiratória aguda e contacto com caso confirmado ou provável de infeção por SARS-Cov-2 ou COVID-19 nos 14 dias antes do início dos sintomas; ou ainda, na presença de infeção respiratória grave, sem outra etiologia, requerendo hospitalização.
Os sintomas mais comuns da COVID-19 incluem febre (88%), tosse seca (68%), vómito (5%) e diarreia (3,7%). Sintomas menos comuns como dor de cabeça, falta de ar, cansaço expetoração, hemoptises, anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar) também podem estar associados a esta infeção. No entanto, alguns pacientes são assintomáticos.
Em Portugal, em 85% dos casos confirmados, os sintomas mais comuns incluem febre (26%), tosse (50%), dificuldade respiratória (15%), cefaleia (23%), dores musculares (25%) e fraqueza generalizada (19%).

O período estimado de incubação, que é assintomático, para o SARS-CoV-2 varia em média entre 5 e 6 dias, podendo ser de apenas 2 dias ou estendendo-se até ao 14º dia. Como na maioria das infeções, os sintomas clínicos podem ser leves ou inexistentes (assintomáticos – portador saudável), são aconselhados 14 dias de observação médica e quarentena em pacientes que estiveram expostos.

Durante este período, a transmissão é possível através de gotículas de saliva expelida durante a fala, espirros ou tosse, ou pelo contato direto das mãos com uma área suja com saliva e secreções, que depois contactam com mucosas orais, nasais e oftálmicas.
A transmissão do SARS-CoV-2, vírus com uma forma esférica e de dimensão que varia entre 0,06 e 0,14 micra, pode ocorrer em espaços fechados. Segundo a OMS, essa transmissão pode ocorrer por contacto próximo, até dois metros, ou por procedimentos que resultam na produção de aerossóis.

Em ambiente externo, como superfícies inertes secas, o SARS-CoV-2 parece sobreviver até 72 horas no plástico e aço inoxidável, 24 horas no papel ou cartão e menos de 4 horas em superfícies de cobre, dependendo da temperatura e humidade. Em ambientes aquosos, esse vírus pode sobreviver vários dias.

Apesar das manifestações clínicas da COVID-19 parecerem semelhantes a uma síndrome gripal , as suas complicações clínicas são diferentes e mais graves.
O quadro clínico da COVID-19 pode ser moderado (pneumonia), grave (dispneia, frequência respiratória aumentada e saturação de oxigénio no sangue), e crítica (insuficiência respiratória, lesão cardíaca aguda, choque séptico e falência de múltiplos órgãos), podendo resultar em morte.

Embora os sintomas e o estudo imagiológico permitam suspeitar de infeção por SARS-CoV-2, o diagnóstico definitivo depende do teste laboratorial. Amostras como zaragatoas orais, zaragatoas nasais, extratos de traqueia e nasofaringe, tecido pulmonar, saliva, expetoração,
fezes e sangue podem ser isoladas e usadas para a deteção do SARS-CoV-2, através de técnicas de diagnóstico molecular.

Os métodos imunológicos, como testes serológicos (IgG e IgM), podem ser usados para detetar se o indivíduo esteve exposto ao SARS-CoV-2.  No entanto, sabemos que os testes atualmente existentes apresentam uma sensibilidade variável, havendo um risco elevado de encontrar falsos negativos.

Também continua por esclarecer a existência e a duração de uma eventual imunidade após o contacto com o vírus. Uma evolução na capacidade de interpretação destes dados será um fator que poderá determinar uma alteração significativa nos procedimentos a adotar em temos de Saúde Pública.

Da mesma forma, pensa-se que a imunidade de grupo, com mais de 60% da população afetada, possa vir a ser conseguida, estando esta situação diretamente dependente da real capacidade de imunização, ou não, ao vírus através do contacto com o mesmo.
Como nenhum medicamento ou vacina foi aprovado até ao momento para a COVID-19, a prevenção apresenta-se como a única estratégia plausível para lidar com esta pandemia.

A COVID-19 e a Medicina Dentária

Características muito particulares da família do coronavírus explicam o seu tropismo pelas células do hospedeiro. O SARS-CoV-2 tem uma estrutura típica dos coronavírus com proteínas em forma de espiga (proteína S) na membrana externa. O SARS-CoV-2 penetra nas células de forma semelhante a outros coronavírus, como o SARS-CoV. A proteína S do coronavírus pode ligar-se a um recetor da enzima de conversão da angiotensina humana 2 (ACE2) do hospedeiro que facilitará a entrada do vírus nas células-alvo.  Esta enzima está ancorada na membrana plasmática das células de diversos tecidos incluindo, em grandes quantidades, as glândulas salivares e a língua. As glândulas salivares parecem ser um alvo precoce da infeção por SARS-CoV, e provavelmente também para o SARS-CoV-2, podendo ser esta uma das justificações para a transmissão por doentes assintomáticos.

Apesar de ainda não haver evidência científica suficiente, é possível que os procedimentos realizados no consultório de Medicina Dentária, com a utilização de instrumental rotatório ou ultrassónico com irrigação ou jato de ar/água, que resultam na produção de aerossóis possam levar à transmissão do SARS-CoV-2 por disseminação aérea. Estes produzem e favorecem a difusão de partículas de aerossóis da saliva, sangue e secreções que podem ser inaladas e contaminam o ambiente, os instrumentos, os equipamentos e as superfícies.
Até ao momento, apenas há uma associação cientificamente consistente para os procedimentos que resultam na produção de aerossóis durante a entubação traqueal na transmissão da SARS.

Assim, face ao risco e à fase de transmissão comunitária em que nos encontrávamos, o governo publicou o despacho n.º 3301-A/2020 renovado pelo despacho n.º 3903-E/2020 que determinou a suspensão da atividade das clínicas dentárias e consultórios de Estomatologia, Medicina Dentária (clínicas dentárias) e Odontologia, sendo possível nessa altura apenas a realização de consultas nas situações de urgência e inadiáveis.

Na presente fase de mitigação da COVID-19, pretende-se elaborar um modelo de abordagem que considere todos os pacientes como potencialmente infetados, independentemente de serem saudáveis/portadores ou suspeitos/infetados pelo SARS-CoV-2.

Pretende-se que este modelo de abordagem total seja adequado à singularidade dos procedimentos realizados em Medicina Dentária, e que garanta simultaneamente a proteção e segurança dos profissionais de saúde oral e dos pacientes, após o levantamento da suspensão da atividade de clínicas e consultórios de Medicina Dentária, com exceção das situações urgentes e inadiáveis.

As medidas aconselhadas têm sempre em conta a situação de Saúde Pública existente e as recomendações da DGS. A incerteza relativamente ao comportamento deste novo vírus e o alarme social gerado podem favorecer a adoção de medidas mais restritivas e levar à implementação de protocolos que, no futuro, se podem revelar desapropriados.

É fundamental que se entenda que estas recomendações não são estanques e definitivas, uma vez que elas poderão ser periodicamente revistas à medida que for existindo mais evidência sobre o tema.

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